segunda-feira, 7 de novembro de 2016

MINHA MÃE ALEXANDRINA PELOS FILHOS DAVA A VIDA



(Clovis Vieira)

Mãe é uma linda rosa
No jardim da existência,
É rainha da docência
Uma musa primorosa,
Mulher forte e poderosa
De coragem desmedida,
Antes de fazer partida
Amar é a sua sina,
Minha mãe Alexandrina
Pelos filhos dava a vida.

Mãe Chiquinha e Zé Chapéu
Dois seres imensuráveis
Ambos foram responsáveis
Por mamãe lindo troféu,
O meu avô Zé Chapéu
E mãe Chiquinha querida,
Tesouros da minha vida
Vivem na Mansão Divina,
Minha mãe Alexandrina
Pelos filhos dava a vida.

A vida é uma passagem
Limitada pela Terra
Um dia ela se encerra
Mudando toda paisagem,
Ninguém esquece a imagem
De uma pessoa querida,
Vai estar sempre contida
Em uma lembrança fina,
Minha mãe Alexandrina
Pelos filhos dava a vida.

A morte é uma verdade
Que temos de aceitar
Todos nós vamos passar
Daqui pra eternidade,
O Grande Deus de Bondade
É quem manda em nossa vida
Por isso mamãe querida
Foi de encontro a Luz Divina,
Minha mãe Alexandrina
Pelos filhos dava a vida.



Eu trago vivo comigo
Seu afeto, seu carinho,
Quando fui pequenininho
Seu colo foi meu abrigo,
O seu conselho amigo
Me instruiu para a vida,
Nunca será esquecida
Minha doce heroína,
Minha mãe Alexandrina
Pelos filhos dava a vida.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

DOCE ILUSÃO



Taniamá Vieira Barreto







Deixa minha mãe que eu fique aqui quietinha

Sonhando e imaginando coisas lindas

Aquelas coisas contigo já vividas

Coisas que se foram devagarinho 



Deixa mãezinha que eu me incline,

E me deite junto ao teu corpo

Deixa que a minha imaginação se iluda

E crie e faça e ria e corra contigo no campo



Deixa mesmo que eu faça de conta

Que a vida contigo continua 

Que a sua graça ainda aqui se encontra 

E faz que as nossas vidas sejam bonitas



Deixa que fique mais um pouquinho contigo

E faça na tua cabeça um cafuné

Deixa que te prometo a partir de agora

Fazer tudo que você quer



Deixa minha mãe deixa

Que eu me iluda e fantasie

Como se tudo tivesse como antes



Deixa que eu viva nessa doce e feliz Ilusão.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O FOLCLORE


Dra. Taniamá Vieira da Silva Barreto

A reflexão de hoje, 22 de agosto é ...

Nosso lugar e nosso povo são demarcados e identificados pelos atos culturais: Folclore.

Folclore, o que é?

Simples Cultura?

- Não! Folclore é cultura.

É tradição das manifestações populares de um povo, representadas pelas lendas, mitos, provérbios, danças e costumes, que vitalizam nossa identidade cultural.

A simplicidade, então, está na grandeza do significado das simples práticas das grandes marcas históricas dos talentos da Cultura de um povo.

A Cultura?

- É representada pela marca da arte, do conhecimento, das crenças, da lei, da moral, dos costumes, ou seja, do complexo representativo da sociedade.

O Folclore é a ação histórica de um povo.

Vamos abrir nossas portas para a história da nossa sociedade, no sentido de entendermos os valores do povo brasileiro.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

DISCURSO DE APRESENTAÇÃO DO IMORTAL JOÃO SABINO DE MOURA




DISCURSO DE APRESENTAÇÃO DO IMORTAL JOÃO SABINO DE MOURA[1]

Raimundo Antonio de Souza Lopes (Ray Lopes)[2]



Em nome da presidenta da ALAM, imortal Taniamá Barreto, eu quero saudar as autoridades que compõem o dispositivo. Da mesma forma, em nome dos imortais Elder Heronildes e Wellington Barreto, presidentes das Academias AMOL e ACJUS, respectivamente, saúdo os acadêmicos e as autoridades aqui presentes. E em nome das escritoras Ângela Gurgel, Josselene Marques e Vanda Jacinto (integrantes do grupo Café & Poesia da cidade de Mossoró), os convidados da Academia e, também, do empresário João Sabino de Moura.

Senhoras e senhores,

João Sabino de Moura é um nordestino, nascido nos recônditos do oeste potiguar e microrregião do Vale do Açu, no sítio São José, na comunidade de Capim Grosso, distante dezoito quilômetros da cidade de São Rafael, no dia 07 de março de 1944. Seus pais, Manoel Sabino de Moura e Francisca Cavalcante de Moura, foram o seu maior exemplo de perseverança, obstinação e capacidade de superação. Costuma dizer, até hoje, que o pai era o homem mais cheiroso do mundo. E que no dia que ganhava um “xero” dele ou dava um “xero” nele tornava o seu dia o dia mais feliz.

O quarto de uma prole de 8 filhos, ele nasceu em meio a uma grande tempestade – que quase levou o pequeno açude da família – e ao sofrimento de sua genitora que, além das dores naturais de um parto, teve que suportar dores extras, ocasionadas por um panarício na mão esquerda. Embora as adversidades tenham sido inúmeras, nasceu com saúde e, especificamente, num ano de fartura para os Sabinos de Moura. Fartura é modo de dizer, pois a subsistência não passava de um escaldado de farinha e/ou um punhado de batatas. Feijão, arroz e milho, aqui e acolá.

É dele uma das frases mais impactantes que eu já li na minha vida, e que, de certa forma, traduz todo o panorama vivido, por ele e seus irmãos, nas décadas de 40 e 50:

“Todo dia nós passávamos fome; porém, nem passávamos de mais nem de menos, pois mamãe sabia administrar os parcos recursos alimentícios que tínhamos para todo o mês e, assim, todo santo dia era a mesma quantidade do dia anterior”.

Com quase 3 meses de vida empreendeu a sua primeira viagem: 64 quilômetros em uma tipoia para ser batizado na cidade de Lajes. Entre a ida e a volta, mais de 120 quilômetros balançando lateralmente no dorso do jumento que levava sua genitora na sela. Uma aventura!

É assim que começa a vida de João Sabino de Moura. Um menino que desde cedo driblou as adversidades tendo como meta principal o estudo. Antes, porém, aos 5 anos já tinha como companheira a enxada, para puxar cobra para os pés e, aos 6 anos, pela primeira vez, frequentou uma sala de aula por apenas um mês. É dele a seguinte frase:

“Eu tinha tanta vontade de aprender a ler e a escrever que, nesses 30 dias, eu aprendi a carta de ABC todinha!”

Porém, nesse meio tempo, viveu a dureza de um lugar do semiárido nordestino, onde as dificuldades eram enfrentadas pelas singularidades de cada família – cada uma delas com seus princípios morais e éticos. Somente aos 6 anos de idade calçou, pela primeira vez, uma chinela, feita de borracha de pneu de caminhão e arreatas de couro.

Aos 8 anos, sem conhecer os caminhos além da cidade de São Rafael, juntamente com dois irmãos menores e um tio, tangendo 100 cabeças de criações, veio bater no sítio Poço do Meio, na época município de Mossoró-RN.

Ainda menino, o espírito empreendedor passou a fazer parte de sua vida. E, por passar a fazer parte, tudo era motivo para perseverar em suas metas. Aos poucos foi conseguindo explorar: dos carros de madeira (feitos para passar dentro dos atoleiros, tendo como passageiros os irmãos menores – em troca de uma colher de feijão, a metade do escaldado e/ou um pedaço de galinha, quando tinha), ao fósforo comprado na feira para revender na sua comunidade, até o serviço de apanhador de madeira e, depois, de lenhador configuraram-se em metas traçadas que foram sendo cumpridas, uma a uma, no decorrer da vida do menino e adolescente João Sabino de Moura.

Embora fosse difícil de conseguir, a parte que tratava dos estudos nunca foi deixada de lado. Das primeiras lições dadas por sua mãe, com ajuda de cadernos feitos com sacos de cimento, recortados e costurados por ela, até a compra de um livro que lhe custou 80 dias de trabalho, a leitura e o conhecimento sempre foram uma constante em sua vida. Quando, em 1958, a família se mudou para Mossoró, a Escola Ambulatório Padre Dehon foi a primeira escola formal de sua vida.

“Eu sempre tive muito respeito por meus professores, principalmente, por aqueles que se dedicavam. Esses, eu admirava verdadeiramente, pois percebia, no dia a dia de cada um deles, o amor sendo o seu companheiro de trabalho, disse certa vez.”

Ali ele conheceu pessoas que foram decisivas em sua vida, dentre elas, os padres Joaquim Alfredo Simonetti e Sátiro Cavalcanti Dantas. O padre Alfredo foi quem, percebendo uma dificuldade na fala de João Sabino – que tinha a gagueira como companheira –, adotou um método para que ele deixasse essa incômoda amiga de lado, segundo suas próprias palavras:

“O meu grande incentivador e quem realmente conseguiu fazer com que eu deixasse essa deficiência de lado, sem sombra de dúvidas, foi o padre Joaquim Alfredo Simonetti. Quando eu fui estudar na Escola Estadual Padre Dehon e ele chegou por lá, vendo que eu tinha essa carência no falar, passou a me ajudar, colocando-me para ler as mensagens diárias e, aos domingos, na missa, a primeira e a segunda leituras”.

Das profissões exercidas, no período de 1958 a 1969, as de botador de água em galões e roladeira, quebrador de pedras, vendedor de ovos caipiras, servente de pedreiro, pedreiro e comerciante na “peda do mercado” foram alguns dos ofícios que ele tem orgulho de haver exercido. Especialmente, da “peda do mercado”, ele traz uma bela história para contar:

O ano foi o de 1967 e João Sabino não perdia uma ocasião para ganhar dinheiro. Segundo o seu lema, se tinha gente na rua, tinha gente querendo comprar alguma coisa. E o que ele tinha para vender era sopa. Por isso, numa dessas noites em que o vai e vem de gente prometia, ele soube que no Clube Ypiranga ia haver uma apresentação do Coronel Ludugero, Otrópe e Filomena.

“Como o movimento estava grande, desde cedo da tarde, eu botei uma panela de sopa com um osso grande dentro para cozinhar e, à medida que iam saindo os pratos de sopa, eu ia repondo com mais macarrão e os ingredientes necessários, porém, o pedaço de osso permanecia o mesmo. Assim, lá pelas duas da madrugada, horário em que acabou o movimento e as últimas pessoas retornando do show, passaram e comeram, eu já estava quase encerrando as atividades, quando vi a chegada dos três personagens do show: Coronel Ludugero, Otrópe e Filomena, perguntando se tinha alguma coisa para comer. Eu disse que tinha uma sopa. Então, eles pediram para botar três pratos. Eu fui na panela e, quando estava enchendo os pratos, olhei para o osso e percebi que ele já estava descolorido de tanto levar fogo. Mesmo assim, terminei de aprontar os pratos e botei para os clientes. Eles comeram e, para o meu espanto, o coronel Ludugero saiu-se com essa:

– Ô sopa gostosa!”

João Sabino conta que não se admirou com o comentário. Porém, creditou a frase “ô sopa gostosa” à fome que o famoso personagem estava sentindo e completou:

“Ela deveria ser maior que a necessidade que eu tinha de ganhar dinheiro para sustentar a minha família”.

Na escola, a União Caixeiral foi um marco. De repente se viu Técnico em Contabilidade e não desperdiçou o seu certificado. Tornou-se, após vários anos de labuta, referência dentro da categoria e proprietário de um dos principais escritórios do gênero na cidade de Mossoró. A sua humildade e capacidade coletiva de se relacionar fez-lhe dizer:

“Na vida não se chega muito longe sozinho. Na minha vida, especialmente, muita gente contribuiu para que eu pudesse ir um pouco mais longe”.

Foi, depois, professor da própria União Caixeiral e, em seguida, professor universitário, diretor de faculdade (FACEM), não sem antes cursar a tão sonhada graduação em três faculdades (Economia, Administração e Ciências Contábeis). Certa vez disse:

“Ser professor me fez tão bem, deixava-me tão entrosado com a dinâmica da didática, e me completava tanto, que estar em sala de aula me permitia experimentar algo além da obrigação: permitia-me relaxar de um dia cansativo, cheio de problemas e de tensão que o escritório me proporcionava. Eu, hoje em dia, ainda sinto falta da sala de aula e do convívio com a multiplicidade de pessoas. Sempre que encontro ex-alunos e fico sabendo que são bem-sucedidos em suas vidas profissionais, eu constato, mais uma vez, a importância da vocação para ser professor”.

Recentemente, em 2015, João Sabino foi comprar um móvel para o seu apartamento. Depois de escolher o que queria, a dona da loja veio ao seu encontro e lhe confidenciou que havia sido sua aluna e lhe agradeceu pelos ensinamentos repassados. Retribuiu aos agradecimentos dizendo:

“O reconhecimento talvez seja o equilíbrio de que o professor precisa para continuar firme em seus propósitos de formar cidadãos, pois não tem nada no mundo que pague o prazer de um ‘muito obrigado, professor’, de quem recebeu seus ensinamentos”.

Depois de ter sido quase tudo, quis ser hoteleiro, e o é até hoje, sendo, inclusive, referência na área como o empreendedor mais bem-sucedido, sobretudo, na Região Oeste do estado. É dele a seguinte citação:

“[...] assim, toda semana, eu começava o projeto do hotel sem saber como ia chegar ao fim dela. E isso se estende até os dias de hoje. De modo que, até o momento, eu ainda não consegui administrar riquezas, mas, todos os dias, administro os meus propósitos com fé e esperança”.

Dono de uma verve humorística muito boa, João Sabino de Moura costuma dizer que “se o sol nascer na frente, então é dia de trabalho”, deixando claro que, nessas décadas todas de existência, nunca descansou da labuta diária. Ou como ele costuma dizer: “enquanto descanso, eu carrego um caminhão de pedra”.

Adepto dos conselhos, principalmente dos mais velhos, um deles, dito pelo tio e sogro de seu pai, é uma máxima que ele adapta aos novos tempos e às suas estratégias de empreendedor:

“O agricultor tem que fazer as vezes de doido: plantar antes de a chuva cair e esperar sua chegada para molhar a semente que plantou. Desta forma, quando chover, será o primeiro a ter molhado o seu plantio e o primeiro a colher o que plantou”.

Esse é o senhor João Sabino de Moura.

Muito obrigado!






[1] Solenidade ocorrida em 28 de maio de 2016, no salão nobre do Hotel Serrano, em Martins-RN.


[2] É imortal da Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró (ACJUS), ocupando a cadeira 07. É Escritor, Memorialista, Jornalista.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

O LIVRO




Dra. Taniamá Vieira da Silva Barreto[1]






Disseram-me para escrever um livro. De pronto respondi que sim. Mas, fico a me indagar: - Que assuntos escrever em um livro? Literatura!? Ciência!? Ou sobre mim mesma!? Não sei!


Talvez, antes de qualquer coisa, eu tenha que encontrar nas leituras, subsídios para entender o sentido epistemológico da palavra “livro”. Ou então conversar sobre a história do livro.


- Ah! Entendi! Nem uma coisa nem outra; mas todas as possibilidades: leituras e diálogos com pessoas sobre a origem, a história e a produção do livro, pode ser a saída.


Eis o caminho para entender o seu significado!


Mas, seriam os “Livros papéis pintados com tinta”, como afirmou Fernando Pessoa?


Certamente que sim! As letras e pontuações representam as pinturas, que dão forma às mensagens idealizadas pelos escritores.


Mas, apenas essas idealizações me bastariam para o claro entendimento do significado do livro?


- Não! Isto não! Quero entendê-lo não apenas em seu sentido epistemológico; mas, voar nas asas da imaginação e ampliar sua significação, até onde minha criatividade possa ir.


Vocês concordam comigo?


Concordam que, sabendo o significado da palavra “livro”, sua origem e sua história, saberei o que escrever; como escrever e como organizá-lo?


– Na minha compreensão precisamos apenas saber e sermos criativos, voar para outros horizontes e viajar para dentro de si mesma, arrancando das entranhas o significado dessa viagem.


É na produção de um livro que encontramos a motivação para descobrir o significado das coisas que buscamos. É nele e com ele que nos aventuramos em viagens imaginárias, instigando a grandes emoções e infinitas descobertas, sentindo-nos, ao mesmo tempo sós e em meio a uma multidão, mesmo estando num deserto!


Aliás, como afirmou Mário Quintana, em “Dupla delícia”, “O livro traz a vantagem podermos estar só e ao mesmo tempo acompanhado.” “...”. Isto me faz entender que os livros, com seus enigmas e suas histórias, têm a capacidade de mudar as pessoas.


Contudo, este, representa apenas um dos vários passos para a provocação do despertar da consciência sobre o significado da produção do livro!


É o óbvio! O possível de ser dito.


O livro é letra. É marca.


Mas ainda indago: Onde fica o significado da estética do livro? É preciso que nos preocupemos com o arranjo do texto nas “páginas”, das imagens e o conteúdo que ele transmite, com suas ilustrações e ideias, indo além do papel.


O livro com suas letras, suas imagens e sua cartografia rompe o silêncio da ignorância para despertar a vida do conhecimento, na reviravolta do significado da história das idéias e das coisas. Vira e revira os fatos e em seus mais variados sentimentos.


Machado de Assis, em sua produção “Livros e flores”, fala-nos sobre a sensibilidade amorosa pelo livro produzida e nos instiga a idealizá-lo como o produto de uma semente que germina conhecimento e vagueia pelas mãos e olhos dos degustadores de palavras, que dão vida ao livro com sua leitura.


Na sôfrega degustação das palavras o leitor viaja amorosamente entre as páginas do livro, no desnudamento das letras. Aliás, como afirma Clarice Pacheco, é preciso experimentar, para saber o sentimento que é:


Viajar pela leitura


Sem rumo, sem intenção.


Só para viver a aventura


Que é ter um livro nas mãos.


Mas, uma curiosidade me aflora a mente: - Seria do nosso interesse desvendar os fatos históricos que permeiam o livro?


- Acho que não, pois este aspecto do tema livro, facilmente pode ser encontrado nos registros dos livros já expostos nas livrarias, casas de revistas, sites da internet etc.


Ao contrário, quero penetrar profundamente na minha criatividade e escrever algo motivacional para um leitor virtual que pode ser eu ou você ...!


O livro, meu amigo, precisa satisfazer as necessidades do leitor! Cumprir determinadas tarefas!


Dialogar com respostas à perguntas inseridas em determinados contextos sociais e culturais à luz dos interesses dos leitores virtuais. Tem que satisfazer a todos os gostos! Tornar útil o inútil! “...” Poetizar o não politizável! Dizer bonito o impossível de ser dito.


Escrever no livro, simplesmente, o que é.















[1] Primeira ocupante da Cadeira 01 da Academia de Letras e Artes de Martins (ALAM), Cadeira 12 da Academia Feminina de Letras e Artes Mossoroense (AFLAM), Cadeira 03 da Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró (ACJUS) e Cadeira 57 do Conselho Internacional dos Acadêmicos de Ciências, Letras e Artes (CONINTER)

terça-feira, 2 de agosto de 2016

OS ELOGIOS DA ALAM


ACADEMIA DE LETRAS E ARTES DE MARTINS EM AÇÃO

A vida acadêmica dos integrantes da Academia de letras e arte é cada vez mais produtiva.

OS ELOGIOS

Já proferiram suas orações de elogios aos patronos das suas cadeiras os seguintes imortais primeiros ocupantes das cadeiras.

Dr Clóvis, ocupante da cadeira 05, no dia 08 de Novembro de 2014, elogiou Elizeu Ventania.

No dia 03 de janeiro de 2016, a Professora Dalva (cadeira 07) e a Dra Taniamá (cadeira 01) proferiram suas orações de elogios às patronesses, respectivamente, Dona Chiquinha Tabita e Profa. Alexandrina.

Chico Filho, em 23 de janeiro de 2016, proporcionou-nos uma tarde agradável de muita sabedoria, elogiando o Dr. Raimundo Nonato.

No dia 28 de maio de 2016 foi a vez do Confrade João Sabino, ocupante da Cadeira 02, proferir o elogio ao Pe. Alfredo Simonetti.

domingo, 31 de julho de 2016

O CAVALHEIRO E SÁBIO, ACADÊMICO ANTÔNIO CLÓVIS VIEIRA[1]



Por Dr. Lúcio Ney de Souza[2]



“As vezes nosso coração está agitado. Mas Deus faz um silêncio danado. Na verdade, Ele está dizendo: Calma filho. Eu já tenho tudo planejado.”

Saudação às autoridades do dispositivo....

“No que me cabe, conheço bem as minhas limitações, mas também conheço os meus sonhos. Quando peso minhas deficiências procuro, de imediato, igualmente projetar meus sonhos; e o resultado dessa operação sempre me anima a caminhar.

Convocado que fui para saudar e apresentar o acadêmico da Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró - o Dr. ANTÔNIO CLÓVIS VIEIRA -, por ocasião do elogio ao seu Patrono Luiz Colombo Pinto Neto, na cadeira 19, e que doravante o denominarei Dr. Clóvis e às vezes simplesmente CLÓVIS, assumo com a convicção de que cumprirei a missão.

Não há como evitar o lugar comum de afirmar, neste introito, que acolhi este convite com profunda alegria, e de fato, torna-se quase impossível encontrar outra maneira adequada, em momentos como este, de falar de quão honrosa é esta missão, igualmente prazerosa em função dos fraternos laços de amizade que nos unem há anos, facilitada, também, pela bela trajetória de vida que o ostenta.

Procurei pesquisar toda a sua trajetória de vida, cumprindo a missão de quem tem tamanha responsabilidade e dever de apresenta-lo, não só para os colegas acadêmicos, mas também para os que até aqui vieram prestigiar essa solenidade.

É paradoxal essa minha missão: Por um lado é simples, pois conheço bastante o Dr. Clóvis; Por outro, é complexo, uma vez que, apesar da sua juventude, tem uma trajetória de vida bastante produtiva, quer no aspecto profissional e, principalmente, no aspecto acadêmico pela sua compulsão de escrever e registrar fatos.

As imortalidades literárias são ficções existenciais que se sobrepõem às vulgaridades. Quando as academias convocam intelectuais para a convivência e comunhão culturais não fazem obséquio político nem inventam ídolos. Simplesmente proclamam reconhecimento ao mérito dos escolhidos.

O termo imortal foi retirado da Academia Francesa. A palavra foi retirada da frase Àl'immortalité, que está estampada no selo oficial da Academia. Na versão brasileira, ser imortal significa ser ou já ter sido membro da Casa de Machado de Assis. Além de ter garantidos para o resto da vida os famosos chás e bolinhos das tardes de quinta-feira, nas quais os acadêmicos trocam amenidades e, as vésperas de eleições, farpas.

O escritor baiano Antônio Torres, quando da sua posse na cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras, conceituou o significado da expressão imortal nas academias: Vejamos:

IMORTAL, esse é o termo utilizado para designar os membros da Academia, indicando que os escolhidos para entrar nesse seleto grupo viverão para sempre na memória da cultura brasileira, e esta tem a capacidade de transcender o tempo.

Segundo o dicionário da língua portuguesa, imortal significa: “não sujeito à morte”. Os membros das Academias também são chamados de imortais, não pela sua imortalidade física, mas pelo valor que suas obras possuem.

Olavo Bilac, o príncipe dos poetas brasileiros, em resposta a um interpelante, que queria saber por que os acadêmicos eram imortais respondeu:

“São imortais porque não têm onde cair mortos”.

Na verdade, os homens são passageiros da vida, que é o dom de Deus. A humanidade os faz eternos pelos rastros de luz que deixam em sua vida terrena, fazendo-os dignos da admiração dos pósteros.

O Dr. Clóvis é um acadêmico que tem essa fortuna, além de ser homem de ciências e letras possui uma certa compleição especial e um especial polimento, isto é, é elegante em seus livros e dentro da vida. É elegante para ser e para fazer. Enfim, não é apenas escritor tipicamente, é tipicamente acadêmico.

Uma academia não é apenas um punhado de escritores fixados, treinados ou jeitosos na prosa, na crônica, na poesia, na crítica, no romance ou em outro gênero literário.

Uma academia é a casa das inteligências, que trabalhadas por um sentido superior da cultura, superiores se mostram na própria criação literária, incapazes de vulgaridade e muito menos de mesquinharia de forma e de conteúdo.

Toda a questão está na atitude e nas ideias, na sanidade do pensamento, na dignidade de expressão e da comunicação humana, tanto quanto na capacidade de conviver.

Este conjunto de valores são decisivos para numa soma final formar o homo academicus.

Se nada tivesse produzido, esta Academia já se justificaria apenas por um dos ensinamentos que nos legou. O de que é possível obedecermos à lei do universo que nos ensinou Lao-Tsé:

“as diferenças não constituem obstáculo à convivência respeitosa entre diferentes, à harmonia entre os contrários, ao louvor à pluralidade”.

Somos todos herdeiros da vocação criadora de Deus e nossa missão no mundo é construir.

Há os que constroem obeliscos e monumentos ciclópicos. Os que constroem a guerra e a dor e vivem de produzir o medo e a desolação.

Nós, porta-vozes da inspiração e do grande sentimento, produzimos policromias e construímos sobre o amor. Vivemos de provocar a beleza e sugerir a felicidade. A Academia é a imortalidade, a espiritual sobrevivência da arte e da cultura.

Contam que, seis séculos antes de Cristo, lá pelas montanhas do Oriente, onde tudo nasceu, viveu um ser fulgurante chamado Lao-Tsé.

Lao significa "criança, jovem, adolescente".

Tsé é o fluxo de muitos nomes chineses, que quer dizer "idoso, maduro, sábio”.

Lao-Tsé, o "jovem sábio", o adolescente maduro", foi contemporâneo de Kung Fu Tsé, o Confúcio, de quem foi discípulo.

Reza a lenda que Lao-Tsé escreveu numa grande pedra a coletânea dos 81 versos que se tornariam a síntese de sua sabedoria, que entrou para a história sob o nome de Tao Te Ching (O Livro que revela Deus) e é, ao lado da obra de Krishina e de Jesus, uma das três mais importantes mensagens da humanidade.

Diz ele no segundo poema:

“O fácil e o difícil se completam.
O grande e o pequeno são complementares.
O alto e o baixo formam um todo.
O som e o silêncio formam a harmonia.
O passado e o futuro geram o tempo”.

Segundo HubertoRohden, Lao-Tsé nos ensinou a grande lei da bipolaridade do Universo e de todas as coisas. Nada é somente o Uno, e nada é somente o Verso. Tudo é Universo, unidade na diversidade, equilíbrio dinâmico, harmonia cósmica.

Orfeu é um deus amoroso e sedutor que age nas mentes humanas convocando para suas fileiras os que são bons.

Bons de talento, de espírito, de convivência, de atitudes e vamos descortinando todas essas qualidades em certezas quando conhecemos alguém de bom quilate, de boa safra.

CLÓVIS, o nosso Lao-Tsé, que ainda jovem já conta com apreciável bagagem literária e Como Orfeu quero saudar o Acadêmico Antônio Clóvis Vieira que da sua operosidade intelectual resultaram vários obras nos domínios da crônica, do ensaio e da poesia, quase todos repassados de forte sentimento telúrico.

Dr. Clóvis é Advogado, Mestre em Ciências da Educação, Professor Licenciado em Matemática, Técnico da CAERN, mas acima de tudo cidadão que se preocupa com a ética e a qualidade de vida, fazendo da poesia cordelística o instrumento de expressão dos seus sentimentos; seja no cotidiano pessoal de vida, seja atuando como professor.

Martinense de nascimento e mossoroense de coração. Em 1970, aos 06 anos de idade, desceu a serra de Martins com destino a Terra de Santa Luzia, buscando sua formação, sem nunca ter esquecido as suas origens.

Integrou os trabalhos de evangelização Social de Padre Guido. Baluarte na formação de jovens nos bairros. Pioneiro no Projeto Esperança - recuperação de jovens -, com início na Paróquia São José.

Graduado em Matemática pela Universidade Regional do Rio Grande do Norte e Bacharel em Direito pela Faculdade MaterChristi, e também professor. Atualmente é professor da rede municipal de ensino de Mossoró.

Quando estudante da UERN, foi estagiário do Projeto Universidade X Prefeituras, atuando nos cursos de formação dos professores leigos, com a disciplina Metodologias Alternativas no Ensino da Matemática.

Advogado há 09 anos procurando contribuir para a melhoria das condições de vida dos idosos, jovens e pessoas deficientes, atuando em defesa dos seus direitos, obtendo êxito em diversas ações no Fórum de Mossoró.

Desde a infância é afeto à criatividade e à descoberta do significado da literatura para a vida das pessoas.

Na qualidade de escritor e cordelista publicou 15 Cordéis e 01 livro “Lembranças e Rimas”.

Os cordéis são: O Advogado Humilde e o Morador de Rua; Entre o Amor e a Razão; História de Elizeu Ventania; Lembrando os Tempos de Outrora; A Burra do Mentiroso; Achado não é Roubado; As Mulheres que Botaram uma Onça para Correr; Caçada Implacável; Canário; Piaba e Valente; Ciladas do Destino; Chico Filho: Exemplo de Superação; Lamentos de um Torcedor; Desafio em Cordel; e Lamentos de um Advogado.

Entre as pesquisas realizadas destacam-se: cabimento do mandado de segurança na justiça do trabalho e execução provisória na justiça do trabalho, bem como, a subjetividade e práticas pedagógicas interdisciplinares como instrumentos da contribuição social do professor leigo.

Membro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional do RN e do Sindicato dos Servidores Públicos de Mossoró (Sindserpum).

Atualmente integra várias atividades nas seguintes instituições culturais: Academia de Letras e Artes de Martins (ALAM), Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró (ACJUS), Academia de Cordel de Mossoró, Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC) e a Comissão do Folclore(CONFOLC).

Enquanto Assessor Jurídico alia-se aos munícipes pela conquista da efetividade das políticas públicas como patrimônio inalienável dos cidadãos, tendo na Lei Orgânica Municipal e no Plano de Cargos e Salários os maiores instrumentos para tais conquistas.

Dr. Clóvis é filho do Senhor Jorge Julião da Silva – Tenente reformado do Exército e da Senhora Maria Alexandrina da Conceição – Professora primária, grande paroidista e metodóloga do ensino a criatividade. O ensino prazeroso e a lúdica no processo aprendizagem era o seu grande foco. É Patronesses da AFLAM cadeira nº 06 e da cadeira nº 1 da ALAM. Constitui-se a maior sensibilidade da família.

O maior patrimônio do Dr. Clóvis é a sua família, construída em bases solidamente cristã. Casado com Maria da Saúde Torres, com quem tem 03 filhos: Dione Cristina – Enfermeira; Daniel Lucas – Advogado - Militar – Funcionário Público do Estado do Ceará, e Gabriela Vitória – Acadêmica de Direito que fez intercâmbio nos Estados Unidos. Clóvis já possuias delícias de ser avô de Yasmin com 3 anos de idade, filha de Dione Cristina.

Tem 12 irmãos – 10 formados e pós-graduados com especialização, mestrado e doutorado. Dentre os quais, Sandoval, Dalva e a DrªTaniamá, nossa confreira, são imortais.

Tem sido através do mundo da cultura, no aprendizado e no aprimoramento dos vários conhecimentos existentes: seja nas ciências exatas, humanas, sociais, da saúde etc, que o homem tem alcançado patamares desenvolvimentistas capazes de proporcionar o bem estar social e melhoria da qualidade de vida para toda a humanidade. E nesse contexto, as instituições acadêmicas têm sido indubitavelmente grandes difusoras e receptáculos dos conhecimentos, desde priscas eras, quando o mítico Platão, fundou a primaz Academia em Atenas, na antiga Grécia, no ano 387 a. C., que preconizava o desejo de “educar os jovens de maneira oposta à sofística, preparando-os para a união entre o poder político e a ciência, no engrandecimento do homem”.

Assim Dr. Clóvis, a boa fama e o nome que granjeastes – não é sombra – como queria o poeta Lucano – é sol para os dias futuros, por serdes de uma estirpe que avança no áspero e difícil. E a sombra dorme, sim, o sol sempre se acorda de horizonte, tal esta copla do argentino, AtahualpaYupanqui no seu canto de vento:

“De lembranças e caminhos,
Um horizonte abarquei.
Longe se foram meus olhos,
A rastrear o que passei.”

Senhor Presidente, Confrades, Confreiras, Autoridades e convidados:

Eu e Clóvis temos uma trajetória com diversos pontos em comum, quais sejam:

- Somos de origens humildes
-Sou formado em Matemática – Clóvis também;
-Sou Professor de Matemática - Clóvis também;
-Sou Bacharel em Direito - Clóvis também;
-Sou Advogado - Clóvis também;
-Sou da ACJUS - Clóvis também.

Se tudo isto não bastasse, vejam que coincidência, rara por sinal, meus senhores e minhas senhoras: Clovis foi meu aluno no curso de Matemática na UERN e eu fui seu aluno no curso de Direito na Mater Christi.

Não obstante, permitam-me trazer a esta saudação um verso do Dr. Clóvis, grafado no seu livro Lembranças e Rimas, intitulado “Lembranças do Tempo de Outrora” no qual discorre, entre outros aspectos, a vida no Sertão:

Senhores prestem atenção
No que vou dizer agora
Como já foi em outrora
As noites do meu Sertão
Trago em meu coração
Lembrança das invernadas
Das noites enluaradas
O brilho dos pirilampos
Alumiando os campos
E coruja nas estradas.


Não existia energia
Para sair ao terreiro
Se usava um candeeiro
Ou no escuro saía,
Meliante não havia
Não se corria perigo
Cada um era um amigo
Quando aparecia alguém
Era pessoa do bem
A gente dava abrigo.


Eu lembro que mãe Chiquinha
Cedo estava de pé
E preparava o café
Botava numa jarrinha
À nossa rede ela vinha
Gritando está na hora
A tempo rompeu a aurora
O café tá preparado
Temos que ir pro roçado
Levanta e vamos embora.


A gente se levantava
O seu humor dava gosto
Ali se banhava o rosto
Ela nos abençoava
Café a gente tomava
Ouvindo a passarada
Batia mão da enxada
E para roça seguia
Desse tempo de alegria
Só há lembrança e mais nada.


Nas noites de São João
Salão de piso batido
Um sanfoneiro atrevido
Tocava xote e baião
Assim já foi meu sertão
Comparado ao Paraiso
Falar verdade é preciso
Eu vivo aqui na cidade
Com o fogo da saudade
Me derretendo o juízo.


No sertão de outro dia
Só tinha estrada de barro
Quase não se via um carro
Passando na rodovia,
Hipermercado não havia
Só tinha um velho armazém,
Transporte só tinha o trem
Que a gente achava bonito
Quando ele dava um apito
Disso eu me lembro bem.


Eu lembro das caminhadas
Em maio para as novenas
Que chegava a ter dezenas
De fiéis pelas estradas,
E das histórias contadas
Causos verdades e mito
Eu me rendo e admito:
O Tempo com Majestade
Vai transformando em saudade
E dando o seu veredito.


E no meu peito a saudade
Fez um ninho pra morar
Eu tive de acostumar
Com a vida na cidade
Mas o Sertão na verdade
Está diferente agora
Com a cidade se aflora
E o tempo vai, me castiga
Eu sinto grande fadiga
Lembrando os Tempos de outrora.


Por fim, Confrades, Confreiras e estimado amigo Dr. Antônio Clóvis Vieira, encerro a minha oração citando o grande Poeta Belchior:

Você não sente, não vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
O que há algum tempo era novo, jovem
Hoje é antigo.
E precisamos todos rejuvenescer"

Concluo dizendo:

Clovis é um homem que se faz querido e respeitado Por onde quer que passe.

Cavalheiro e sábio.

É humilde sem ser submisso.

Grandioso sem ser soberbo.

Muito obrigado 

E viva a Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró - ACJUS













[1] Discurso proferido pelo Acadêmico Lúcio Ney de Souza em Saudação / Apresentação ao Acadêmico Antônio Clóvis Vieira, no momento do Elogio ao Patrono da Cadeira 19, Luiz Colombo Pinto Neto, em 24/06/2016

[2] É Primeiro Ocupante da Cadeira 02 da ACJUS.