segunda-feira, 10 de junho de 2019

A VIDA, OS CAMINHOS, UM PROJETO DE VILDA





Neste dia 14 de junho de 2019, em que completa um ano de partida da nossa querida irmã Vilda Vieira, somos chamados à reflexão sobre o significado da sua vida terrena. Uma vida caracterizada por um intenso prazer de presentear, de partilhar, de resistir e de multiplicação em amor.

A ocultação dos problemas e uma vontade enorme de ser vista, reconhecida e notada foi sua marca registrada. Vilda era assim: recolhia-se para fazer falta. Tanto que foi embora primeiro pra ficar pra sempre na vida da gente, deixando um primoroso exemplo de vida, resistência e luta.

Vilda com determinação e bravura abraçou o projeto da maternidade. Construiu sozinha um projeto profissional e familiar com sua filha única Roseana Nathalie. A maneira valente como ela encarou a maternidade e a responsabilidade de educar e profissionalizar sua filha representa a mais fiel demonstração de luta em prol da vida.

Neste ano de Saudade daquela que semeou alegria por onde passou, dizemos:

Toda pessoa que nasce
Traz o destino traçado
Alguns não constroem nada
Outros deixam um bom legado
E no livro dos recordes
Deixam o nome assinado.

Assim foi que Vildemar veio ao mundo, com um projeto bem definido: o de ser guardiã dos direitos trabalhistas, paz harmonia e cidadania. Vilda planejou, organizou e realizou:

Plantio de sonhos de justiça,
De amor, de concórdia, de liberdade,
Semente de calma, de obediência,
Ternura, alegria e fidelidade,
Sonho de compreensão,
Respeito e dignidade.

Professora, Escritora, Pesquisadora e Palestrante, nona filha de Maria Alexandrina da Conceição e Jorge Julião da Silva, Vildemar Vieira da Silva era assim: versátil, com uma gargalhada que lhe era peculiar e que jamais sairá de nossas lembranças!
Suas gargalhadas eram um turbilhão de sinceridade e de alegria, irradiando felicidade. O céu, a partir de 14 de junho de 2018, certamente, ficou mais feliz com sua presença.
Mas, em seus últimos meses entre nós, Vildemar viveu o verdadeiro calvário de Cristo. E hoje, dia 14 de junho de 2019, o Salmo do dia (115, 10:11) parece nos fazer testemunhar o que não nos foi possível entender quando da sua vida terrena. Hoje entendo, Vilde, os seus gritos a sua DOR. Ecoa em meus ouvidos:

Guardei a minha fé, mesmo dizendo:
É demais o sofrimento em minha vida!
Confiei, quando dizia na aflição:
Oferto ao Senhor um sacrifício de louvor
Que é sentida por demais pelo Senhor!

Que Saudade, minha irmã!
Quão grande foi a sua dor não compreendida!
Quanto sofrimento, que não fui capaz de entender!
É um sentimento doído
Uma tristeza lacerante!

Uma dor fisicamente diferente
Há na alma um espinho
Uma torquês espremendo o coração
Comprimindo os meus pulmões
Fazendo-me perder o fôlego!

É uma dor que não tem cura
Que às vezes é diminuída
Pela lembrança, pela busca do contato
Mesmo que abstrato
Fora de cena apenas saudade!

Tenho consciência: A morte é meramente a separação dos átomos que nos compõe. Não anuncia, portanto nem castigos nem recompensas. Apenas vem e leva aqueles entes que mais amamos, mas não soube demonstrar! Foi assim com Vildemar.

A nossa estrela que segue a brilhar no céu da eternidade
Oferto-te hoje ao Senhor o meu louvor como sacrifício
Em troca do calvário da sua doença
Um aconchego que teima em aconchegar, pois sei Vilde,

Caminhastes nas avenidas da bondade
Nos caminhos da certeza Trilhastes
No Palco da vida a arte Produzistes
Com criatividade, amor e Verdade.

Fostes exemplo!
A caminhante silente que
Silenciosamente semeavas alegria
Semeando paz e a harmonia
Cultivando, criastes sua própria vida.

A Caminheira que caminhava
Silente semeando o bem
Silente servindo a todos
Silente na construção do certo
E vai caminhando de encontro á eternidade.

VAI VILDA VIEIRA, COM SEU SORRISO - 21 / 03 /1960.

DEIXE-NOS AQUI A CHORAR SUA AUSÊNCIA - 14 / 06 / 2018

Por Dra. Taniamá Vieira da Silva Barreto 

sábado, 2 de março de 2019

A ACJUS NA HISTÓRIA DAS MULHERES E DA POESIA



Profa Dra Taniamá Vieira da Silva Barreto

(cadeira 03 da Acjus)



ILUSTRÍSSIMO PRESIDENTE DA ACJUS, DIRIGENTE DESTA DOUTA MESA, JOSÉ WELLIGTON BARRETO, EM NOME DO QUAL CUMPRIMENTO OS HOMENS INTEGRANTES DESSE DISPOSITIVO E TODOS OS HOMENS PRESENTES NESTA PLENÁRIA

ILUSTRÍSSIMA SENHORA HELENITA CASTRO, PRESIDENTE DA ACADEMIA FEMININA DE LETRAS E ARTES - AFLAM, ATRAVÉS DA QUAL CUMPRIMENTO TODAS AS MULHERES DO DISPOSITIVO E DA PLENÁRIA.


Senhoras e Senhores.

Ao ser convocada para ser oradora desta magna sessão, de pronto aceitei e iniciei uma reflexão sobre qual a abordagem deveria dar ao discurso.

Este é o momento que marca um novo recorte da história da ACJUS.

Momento que faz parte do início de um mês cheio de sentimentos poéticos, citadinos e feministas, como é o mês de março.

Pensei, então; preciso falar de uma Academia de Ciências Jurídicas e Sociais marcada por uma História, que vai além da condição institucional, cuja finalidade é o estudo, o aperfeiçoamento e a difusão das letras jurídicas, sociais, Filosóficas e afins, que nos findos dias do mês de março do ano de 2014, um grupo de seletos profissionais iniciou a discussão sobre a viabilidade de uma Academia, com este perfil.

Ponderei!

De certo, preciso extrapolar este aspecto e considerar que nesta sessão de 01 de março de 2019, tomam posse os membros da segunda Diretoria da ACJUS.

ACJUS que foi fundada em 05 de novembro de 2014 e teve os membros da sua primeira Diretoria definidos justamente no mês de março de 2015, sendo a posse solenemente, na Assembleia Geral Extraordinária de 24 de julho de 2015.

Considerei, então o mês de março, o mês das Mulheres, da Poesia e da Constituição, para inspirar essa minha fala.

Inspirei-me, sim, na MULHER
Que labuta no dia-a-dia da vida
Vestida da força da lida
Da esperança que o sucesso requer.


Inspirei-me no requinte do saber
Envolvida na busca da felicidade
Marcada pela dor da saudade
Na tentativa dos obstáculos vencer.



Fui buscar também inspiração na poética e no conteúdo dos discursos das mulheres acejuscianas, porque são elas as que perpassam a trajetória da mulher escritora, registrando a permanência de sua obra na história da literatura e da ciência leve, rompendo com o discurso patriarcal dominante e tolhedor, alçando voos nos estudos sócios-culturais, sócio-políticos e sócio antropológicos.

Inspirei-me, sim, porque também sou poetiza.

Enveredei pelas asas da imaginação e relacionei o viés feminino da Acjus com o Dia da Mulher, que é comemorado anualmente em 8 de março.

Inspirei-me, porque entendo que o Dia da Mulher é a celebração das conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres ao longo dos anos, como o fazem as mulheres da Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró.
O contexto exige um parêntese poético para dizer que Ser Mulher na ACJUS é intrinsecamente igual a ser mulher na Elucubração poética:

Exige sensibilidade
Sentir a dor que rói
Ver a luz
Na escuridão
Do sol
Ver a claridade
Na escuridão da noite
Contemplar a lua
Da manhã
Da tarde
Meditar o jardim do cerrado
Um cenário
Um sonho
Uma miragem
Sentimento que dói!
Corroi!

Mas, retornemos ao foco da Acjus em março.

Como o dia 08 de março, nossa Congregação tem um projeto político institucional comprometido com as lutas mais amplas da sociedade, da ciência, da cultura e das letras.

Como exemplo, cito o “Projeto Lendo, Escrevendo e Aprendendo” e contínua interação com os meios de comunicação.

Nós que fazemos a congregação acadêmica da Acjus entendemos que é preciso determinação, criatividade e decisão para desenvolver atividades coerentes com a realidade local e regional, com leveza científica e uma boa dosagem de sabedoria e construção poética. Entendo a poesia como forma da arte de fazer ciência.

E por falar em discurso poético, desde 1999 que, por determinação da UNESCO, o dia 21 de março é oficialmente o Dia Mundial da Poesia.

Neste momento, peço licença aos demais confrades e confreiras para fazer referência às acadêmicas: Ângela Gurgel Poetisa da natureza e da vida; Suzana Goretti, que faz da cultura nordestina o motivo da sua rima; Welma Menezes, que traz para a poesia a musicalidade jurídica; e, Vanda Jacinto. Ah! Vanda é a poetisa completa, que traz na veia a frase melodiosa da sabedoria existencial.

Estas poetisas, somam com as demais acadêmicas uma produção que inunda a ACJUS da verdadeira oração do entendimento da ciência e da verdadeira missão da academia.

Aliás, pra se falar de oração e missão, justamente hoje, primeiro de março, comemora-se, desde 1968, o Dia Mundial da Oração, em compromisso com a celebração ecumênica móvel, que ocorre na primeira sexta-feira de março, como forma de interceder pela realização de obras benéficas para a humanidade.

Mas o que tem a ver esse compromisso com o projeto da ACJUS?

Entendo que tem tudo!

Penso e constato que as obras da nossa Academia, em seus cinco anos de fundação, tem trilhado caminhos do bem, em prol da humanidade, consolidando uma história da verdadeira cidadania.

Março é o mês da Constituição, em que no dia 25 de março de 1824 D. Pedro I assinou a Primeira Constituição brasileira (Constituição do Império do Brasil); e é considerada parte importante do processo de independência do Brasil e do contexto democrático, construído dia-a-dia.

O Golpe de Estado no Brasil em 1964 designa o conjunto de eventos ocorridos em 31 de março de 1964, no Brasil, que culminaram, no dia 1.º de abril do mesmo ano, com um golpe militar que encerrou o governo do presidente democraticamente eleito João Goulart.

A diretoria executiva e o conselho fiscal que hoje tomam posse para o mandato 2019 / 2022 continuará primando pelo processo democrático, respeitando as decisões coletivas, bem como, cumprindo suas normas estatutárias e regimentais.

E por falar em normas, esperamos que no exercício acadêmico de 2019 todos os acadêmicos e acadêmicas já empossados/as cumpram a ritualística dos elogios aos patronos de suas respectivas cadeiras.

Esta é a maneira suave de dizer:

Aqui estamos de braços abertos para, todos juntos, construirmos uma Academia do jeitinho que queremos, com zelo para com o seu nome, respeitando os confrades e as confreiras, em consonância com a dignidade e grandeza da investidura acadêmica.

Eis como estamos nesse momento: investidos do compromisso com a vida acadêmica, na construção do nosso próprio castelo, com teimosia, pedindo licença para passarmos e seguirmos nossos sonhos.

É bem verdade que as vezes atropelamos o processo!

Mas, vontade de fazer acontecer nossos sonhos! Sendo fiéis com nossos próprios sonhos de sermos imortais.

Sim, diletos confrades e diletas confreiras, a ACJUS precisa da fidelidade de todos nós, com nosso próprio sentimento.

Façamos um ano acadêmico de 2019 de elogios e de construção da nossa própria fidelidade para com nossa congregação, sem egoísmos, transbordando criatividades:

Partilhando
A leveza da informação
Divulgando
O compromisso com o amor
Enaltecendo a existência
Preservando a amizade
Louvando a poesia
Espalhando a ideias,
Com a chama da esperança
Confiança.
Maestria
Segurança
Poetizando a vida,
Significando a existência!

Obrigada! 

Que Jesus nos dê sabedoria para fazermos uma boa gestão!

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

ELUCUBRAÇÕES


Convenções?

Não as entendo.
Críticas?
Só aceito as construtivas.
Limitações?
Só as físicas.
Explicações?
Todas necessárias.
Reconhecimentos?
Desde que por merecimento.
Ideias?
Acolho as sábias.
Acolho as mensagens
Amenas em forma de litanias
Que fazem emergir imagens
Resgate das deslembrada alegrias.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

ALAM - 05 ANOS CULTIVANDO SABERES


ALAM - 05 ANOS CULTIVANDO SABERES

Eis que apresentamos um conjunto de atividades ritualisticamente recheadas de poesias, prosas e compromissos com a arte e cultura, como forma de iniciar as festividades em comemoração dos 05 anos de atividades da Academia de Letras e Artes de Martins – ALAM.
18 e 19 de janeiro de 2019
Data: 19 de janeiro de 2019
Local: Salão Nobre do Hotel Serrano – Martins/RN

PROGRAMAÇÃO


18 de janeiro de 2019 – SESSÃO MAGNA TEMÁTICA
19h – Instalação da Solenidade
19h25min – Apresentação Oficial da Programação de Aniversário dos 05 anos da ALAM
19h30min – Conferir Título de Amigo da ALAM a: ANTONIO ELIZAIAS TAVARES FREITAS
FRANCISCA ITAMÁRIA DE PAULA SABINO
19h45min – Número musical com as cantoras Beth Vieira e Aureneide
20h00min – Conferência “A Poética de Fernando Pessoa”, com a Me. Danda Trajano.
20h40min – Performance com o artista Wilson Silva
20h45min – Noite de Autógrafo – Coletânea “TANTOCANTO EM VERSOS, ARTES E PROSAS”, da ALAMP – coautoras: Dra Taniamá, Flauzineide Moura, Cleide Paiva, Margarida Costa, Albetiza Leite, etc.
21h00min – Encerramento Solene.
20h10min – Coquetel e performance musical e poética – Acadêmicos da ALAM.
19 de janeiro de 2019 - Oficinas
08h – Instalação das Oficinas com credenciamento dos participantes
08h30min – Início da Oficina Poetrix, sob a coordenação da Me. Danda Trajano
09h40min às 15h – Oficina “Planejamento Lítero-Artísticas e Culturais 2019”, sob a coordenação da Dra Taniamá.
16h00min às 18h30min – continuidade e encerramento da Oficina Poetrix.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

JORGE: A VIDA, OS CAMINHOS, UM PROJETO


JORGE JULIÃO DA SILVA (EX-COMBATENTE)


26 / 08 / 1921 a 24 / 10 / 2018

Os sonhos, os desafios, as lutas e o heroísmo de um martinense, que rompe com todas as barreiras para proporcionar à sua Família e à sua Pátria o alcance de uma meta: a formação e a vitória. Assim foi sua vida.

Filho de Manuel Anunciato da Silva e de Izabel Maria do Espírito Santo, Jorge Julião da Silva, vulgo Jorge Anunciato, nasceu no sítio Pico dos Carros, município de Martins, estado do Rio Grande do Norte, no dia 26 de agosto de 1921. Agricultor desde a infância, não teve acesso a cultura letrada; mas, se doutorou na Universidade da Vida.

Serviu o Exército no período de 1943 a 1945, tendo exercido a função de Armeiro, sendo o verdadeiro sustentáculo no preparo das armas e da munição para que seus companheiros militares empunhassem as armas com segurança.

Com o fim da II Guerra Mundial retornou a sua cidade Martins, onde voltou a função de agricultor.

Em 1946 casou-se com Maria Alexandrina da Conceição, com quem teve 14 filhos, que na ordem da primogênita para a caçula são: Maria da Conceição, Regina Celeste, Taniamá, José de Arimatéia, Maria Dalva, Leontina, Francisco Sandoval, Vildemar (falecida), Maria do Livramento, Maria da Glória (falecida), Antonio Clóvis, Maria da Conceição, Hugnelson e Flávia Maria.

Na busca de concretizar o seu sonho de formar seus filhos mudou-se para o município de Mossoró, em 1968, onde residiu até 17 de fevereiro de 2002, retornando a sua cidade de origem Martins, no Sitio Frade, mas que não se desligou de Mossoró, onde construiu uma sólida base comunitária católica.

Homem vitorioso na formação dos filhos, Jorge Julião teve seu projeto de vida realizado, já que todos se formaram e/ou construíram uma sólida profissão, indo da formação em nível técnico ao pós-doutorado. É uma prole de bacharéis e licenciados, respectivamente, nas áreas de: Administração, Enfermagem, Engenharia, Direito, Letras, Pedagogia, Serviço Social, Geografia, Biologia e Matemática.

Preocupado com os estudos Jorge Julião, além de manter os seus filhos estudando, voltou aos bancos escolares, através do Mobral, concluindo, orgulhosamente, o Ensino Fundamental I, passando a ler, escrever e calcular, com alto nível de desempenho.

Durante os 34 anos que residiu em Mossoró, Jorge para superar as dificuldades financeiras e sustentar seu projeto de família intelectual, humana e ética, exerceu as atividades de Operário Braçal, Agricultor, Pedreiro e Carpinteiro; mas nunca esquecendo a base religiosa.

Somente em 16 de outubro de 1981 foi-lhe concedida Pensão Especial, pelos serviços prestados ao Brasil durante a II Guerra Mundial, atribuindo-lhe o título de 2º TENENTE - EX-COMBATENTE, pela Força Expedicionária Brasileira – Ministério do Exército. A partir de 1986 passou a dedicar-se as atividades sociais e religiosas na Comunidade Estrada da Raiz, Cajazeiras e Santa Helena, onde construiu, coletivamente com sua família e os integrantes daquelas comunidades, a Capela de São Francisco de Assis.

Esta é uma história de luta, desafios e heroísmo, que fazem de Jorge Julião, exemplo de verdadeiro cidadão.

Depoimento da sua neta Dra Júlia Maria: Esse sim é um herói íntegro, não porque o exército o fez; mas, sim porque nasceu e todas as batalhas que a vida o impôs ele enfrentou e quando o país precisou, mais uma vez ele deu prova de que a guerra já fazia parte da sua rotina! Sempre tirei o chapéu pra esse herói.

O Exército Brasileiro o reconhece como herói. (Gracinha uma amiga da família)

sábado, 1 de setembro de 2018

DISCURSO DE POSSE NA AMOL



Dr. Elder Heronildes, mui digno Presidente da AMOL, através do qual cumprimento as demais autoridades desta mesa, já nominadas pelo Cerimonial. 

Ilustre Assembleia, 

Senhores e Senhoras, 

É com indecifrável alegria, que saúdo todos os Membros desta mui amada Academia Mossoroense de Letras (AMOL), cujo compromisso é a promoção do patrimônio cultural de Mossoró, Celeiro das letras e do ineditismo histórico-social. 

Pela bênção de Jesus e escolha dos membros da AMOL, aqui estou, com o coração transbordando de felicidade, mas com muita humildade em ter sido aceita para integrar tão seleta Congregação, onde está o que de melhor há na produção intelectual de Mossoró, quiçá do Rio Grande do Norte e do Brasil. 

Hoje a AMOL, sob a presidência do intelectual Elder Heronildes da Silva, arregimentado por todos os demais integrantes da atual Diretoria: Antonio Filemon Rodrigues Pimenta, Josafá Inácio de Loyola, Ricardo Alfredo de Souza, Mário Gerson Fernandes de Oliveira, Geraldo Maia do Nascimento, Manoel Vieira Guimarães Neto, Ricardo Alfredo de Souza, João Pessoa Cavalcante, Wilson Bezerra de Moura, Benedito Vasconcelos Mendes, Maria do Socorro Cavalcante, Antonio Clauder Alves Arcanjo e Almir Nogueira da Costa. 

Aqui chego com o sentimento de que a responsabilidade é bem maior do que o meu contentamento. 

Por sinal, esses sentimentos são permeados de agradecimentos, não somente aos que sufragaram o meu nome, mas a todos os imortais da AMOL. Enfatizo meus sinceros agradecimentos ao poeta literato Parnasiano Jomar Ferreira da Costa Rêgo, meu ex-professor que, ao lado do Saudoso Pe Flávio Nascimento me instigaram a fazer jus à cultura letrada da minha querida Serra de Martins. Foi a partir do incentivo destes meus queridos professores que deixei desabrochar: 

A Ideia, 

O Pensamento poético. 

A Palavra. 

A Estética! 

São exemplos de professores educadores; cujos ensinamentos desaguaram em terreno fértil. 

Terreno, este, cuidadosamente adubado e fertilizado no alicerce do meu seio familiar. 

Por isso é prioritário citar o alicerce da minha trajetória de formação e de vida produtiva (cultural, profissional, religiosa e social), sem o qual nada seria. Alicerce esse, composto pela minha mãe Alexandrina (Maria Alexandrina da Conceição - in memoriam), professora, musicista e escritora; e minha Vó Chiquinha Tabita (Francisca Viana de Messias - in memoriam), professora e missionária da Marilologia. Mulheres de fibra, nas quais me espelho até hoje; ao meu pai Jorge Julião da Silva, excombatente, exemplo de resistência e coragem. E o que dizer dos meus 13 irmãos? Conceição Azevedo, Regina Celeste, Dalva Vieira, José de Arimateia, Leontina Vieira, Livramento Amâncio, Clóvis Vieira, Sandoval Viera, Lilian Barbalho, Hugnelson Vieira, Flávia Maria e in memorian: Vildemar Vieira e Maria da Glória? 

Sem palavras, pois a leveza e resiliência da vida de todos e de todas os fazem: 

Verdadeiros trigos da sabedoria, 

Na simplicidade de simplesmente serem 

Cidadãos em busca do saber, 

Comprometidos com a informação, 

A partilha, a ética e a comunicação. 

Com o sólido alicerce familiar foi possível não só edificar uma profissão, mas também constituir minha própria família ao lado de Danilo Barreto, com o qual procriei Danilo Júnior, Danúbio Anildomá e Mara Dalila. Além dos meus netos: Danúbio Filho, José Davi, Lucas Daniel e Maria Alice. Estes são os meus tesouros de ouro, prata e mirra. 

Meu capital de mais valia, 

Verdadeiro sentido da vida, 

Motivo da minha poesia, 

Minha esperança de guarida! 

Senhor Presidente e Ilustre Assembleia haveria de me reportar aos meus familiares, porque a essência deles sinaliza a minha constituição e delineia o perfil da minha procedência. 

E por falar em essência, a cadeira 08 da AMOL tem um significado todo especial para mim. Ela é, essencialmente, essência do meu caráter produtivo: A sua Patrona, Maria Sylvia de Vasconcelos Câmara, é Professora, Escritora, Musicista e Poetisa; e sua Primeira Ocupante, Zenaide de Almeida Costa, Escritora, Musicista e Poetisa. Com isto compreendo que o Grande Mestre do Universo reservou para mim este momento, como presente que aceito de bom grado, sem questionar, nem pedir explicação. 

Sobre a Mossoroense Maria Sylvia de Vasconcelos Câmara, cognominada “A Poetisa da Saudade”, a exemplo do pioneirismo no campo da história das mulheres no Rio Grande do Norte e em Mossoró, estava à frente dos movimentos da educação, do jornalismo, das artes, da poesia e da música, pelo elevado grau de sua produção cultural. 

Sua sabedoria pode ser apreendida e degustada através da leitura dos poemas: “último refúgio”, “os flagelados” e “nirvana”. 

Neles a poetisa retrata seu profundo sentimento sobre Deus, natureza e coração. É como se uma saudade vinda num sei de onde, vindo num sei pra quê invadisse o seu peito e ali fizesse morada. 

A exemplo da Patrona da cadeira 08, busco em meus poemas expressar o significado e o meu respeito à transcendência Divina. Entendo que: 

Poetizar é construir com rimas, 

Devastar o tom da beleza, 

Cultivar ao tempo que subestima: 

Poder, arma, paixão e nobreza. 

Os senhores e as senhoras duvidam que isto é providência? Não duvidem! Pois a Primeira Ocupante da cadeira em epígrafe, Zenaide de Oliveira Costa, foi também produtora de ideias enaltecedoras da vida e da natureza campesina, no livro “A Vida em Clave de Dó”. Mais que relatos memorialistas a poetisa, escritora e musicista Zenaide conseguiu dizer em Romance a poética do sertão nordestino, transcendendo a própria temática, como o fez no soneto “tardes idas”: 

Estou a recordar com infantil ternura 

Aquelas tardes mornas e serenas 

Que o perfume sutil das açucenas 

Embalsamava e enchia de frescura! 



Sobre as boninas de igual candura, 

As borboletas tênues, quais falenas, 

Tornavam aquelas horas, tão amenas, 

Um pedaço de céu, luz e doçura! 



Quão diferentes tardes hoje passo! 

Quanta tristeza ao declinar do dia 

Quando se esvai a luz do sol no espaço! 



E eu revivendo as horas já perdidas, 

Procuro recompor minha alegria 

Com a lembrança daquelas tardes idas ... 



Com facilidade, Zenaide quis e disse com leveza sonora o quê só os poetas conseguem: 

Dizer as coisas duras, através do poema, 

Dispensando a procura do significado, 

Retratando na letra dita, 

Contradizendo o problema e 

Confirmando o não encontrado. 

Na minha interpretação era assim o estilo da escrita de Zenaide de Almeida Costa, a “romancista poética”, nascida em São Miguel, região serrana do alto oeste potiguar, no dia 05 de abril de 1926, tendo falecido, na cidade de Recife-Pe, no dia 20 de março de 2016. 

Em vida e após sua morte a escritora, musicista e poetisa Zenaide foi privilegiada com várias merecidas homenagens, como está registrado nesta plaqueta que os senhores e as senhoras receberam. 

Ao dizer isto antecipo que fugirei ao convencional, não estendendo minha fala aos detalhes da vida da minha antecessora e da patrona da cadeira 08, numa pretensa atitude instigadora à leitura atentiva dos apontamentos biográficos contidos neste livreto, que fiz com todo carinho, a título de registro histórico desse momento ora vivenciado. 

A ideia é viver o presente, com a leveza do sonho de amor, 

Saboreando esse momento sem nada problematizar. 

Degustar o sabor de cada regra transgredida, 

Olhando cada gesto, cada ação dos senhores “amoleanos”, 

Para com os senhores eu possa aprender a caminhar, 

Com segurança neste novo caminho. 

É através desse novo caminho que a partir de hoje começo a desvendar o significado do SER AMOLEANO, com a ajuda de cada um e de todos, para ressignificar os dons do Ser poético, Ser conto, Ser artístico, Ser...! 

Sim, senhores e senhoras, assumo hoje o compromisso com o caminho da AMOL. Caminho que será a vereda do meu crescimento; o condão de combate ao fogo e o anúncio de novos poemas, pautados nas bênçãos celestiais, meditados fervorosamente, quando em 1980, escrevi assim sobre a MEDITAÇÃO: 

Deixa JESUS que incline minha cabeça, 

Ao lado seu e fique assim te olhando; 

Dá que teu amor de mim se compadeça; 

Dá que minha fé em ti vá se avivando! 



Deixa JESUS que o corpo meu nefando, 

Aconchegar-se ao teu puro mereça; 

Dá que minh’alma assim te contemplando, 

Outro deus fora a ti não reconheça! 

Hoje, 30 de agosto de 2018, em que comemoramos o dia de São Cesário de Arles, considerado pela Igreja católica como o padroeiro dos incêndios e da luta contra o fogo, peço licença, para me reportar ao que São Cesário de Arles, disse em suas orações: 

"Senhor, os teus desígnios são insondáveis! Escolheste um assassino, como Paulo, para anunciar o teu nome, tomaste um pecador como Pedro para o tornar chefe da Igreja, socorreste uma adúltera para manifestar a tua misericórdia. Como são misteriosos os teus caminhos, ó Senhor! Agostinho permanece um exemplo de conversão para aqueles que estão atormentados e empedernidos no mal; Francisco, de libertino, torna-se promotor de paz. Ó Senhor, os teus gestos são loucos para a sabedoria humana! Assumes a fraqueza de uma criança para destruir os poderosos; dás a outra face a quem te bate e perdoas a quem Te ofende; morres para dar a vida e a salvação. 

Também eu, na situação concreta em que me encontro, à luz do teu Espírito, posso dar-me conta do teu amor e dizer-Te: «Tudo é graça» ...!" 

Eis-me aqui, trazendo o pouco que tenho. 

E, parafraseando os versus simples, vos digo: 

Na minha bagagem não trago ouro, porque ele não entra no céu. 

Não trago flores, porque elas secam e logo se transformam em farelos. 

Mas, trago o meu compromisso, a minha criatividade, a minha doação mais preciosa: Amor e Disponibilidade ao Coletivo. 

Trago-lhes minha produção e o meu conselho: 

Se hoje, estiveres pensando em parar, em desistir e pensares que não vais conseguir toma seu instrumento de trabalho e produza. 

Deus te faz resiliente. 

Deus desenvolverá resiliência em você. 

E depois, só restará testemunhar do poder de Deus na sua vida e das bênçãos conquistadas, além da certeza que você conseguirá. 

Tudo depende da pontuação do seu agir: 

Se UMA VÍRGULA, 

UM PONTO E VÍRGULA; 

UM PONTO FINAL ou 

UMA RETISCÊNCIA ... 

Obrigada diletos confrades 

Dignas confreiras 

Obrigada meus amigos 

Eterna gratidão aos meus familiares. 

Mossoró-RN, em 30 de agosto de 2018.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

A FACE SINGULAR DE UM INTELECTUAL



Profa. Dra. Taniamá Vieira da Silva Barreto[1]


Fui surpreendida pelo Presidente da Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró (ACJUS), José Wellington Barreto, solicitando um texto de duas laudas sobre o Presidente de Honra da citada Academia, Elder Heronildes da Silva. Refleti! Pensei! Relutei!

Como sintetizar em tão poucas páginas a vida de um intelectual que tem dedicado toda sua existência à produção e semeadura do conhecimento? Um Advogado de sucesso; um Escritor sensível; um gestor de altos empreendimentos; um Professor íntegro, comprometido com o bem-estar social da humanidade, um verdadeiro socialista? Impossível!

É necessário, pois, fazer um recorte no tempo e anunciar para o leitor o que foi possível dizer sobre Elder Heronildes; com destaque para o que sinto e penso sobre ele.

Há 48 anos conheci Elder Heronildes, quando o mesmo desempenhava suas funções de Vice-Reitor (Gestão de 1973 a 1977) e de Reitor (Gestão de 1977 a 1981) da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e no acompanhamento da sua vida docente e de escritor. Ao longo dessa trajetória aprendi a admirá-lo, principalmente pela sua capacidade de extrair do insensível a sensibilidade das coisas.

As palavras fogem, nesse exato momento, para descrever e/ou até mesmo enfatizar a importância que Elder Heronildes tem nas Instituições UERN e Academia Mossoroense de Letras (AMOL), sem deixar de rememorar sua atuação nos espaços culturais do ICOP, Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGN), da Academia Norte-rio-grandense de Letras, Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Norte, Academia Apodiense de Letras, Academia de Letras de Campina Grande, Associação de Escritores Mossoroenses e Academia de Letras e Artes de Martins (ALAM).

Seus escritos englobam um grande acervo de publicações, dentre os quais registro: O Casamento, Fatos e Vidas que são presenças, Gente do Oeste Potiguar na “Província Submersa”, Uma data e dois homens, Raimundo Rubira da Luz e A Rua de Jaime; porém, dizendo que as demais produções são de igual relevância, tanto em qualidade como em contribuição social e cultural.

Parafraseando Johann Wolfgang von Goethe, o verdadeiro, o bom, o inigualável, Elder Heronildes, é simples, na sua singeleza intelectual e é sempre idêntico a si mesmo, porque é ousado.

Os limites da ousadia de Elder é a sua própria possibilidade de continuar criando e recriando discursos, crônicas e poesias sobre temas inovadores, com argumentos criativos, deixando transparecer na prática a filosofia socrática de que “uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida”.

Estou aqui falando do Elder intelectual. Porém, não ouso esquecer do seu papel familiar de filho, pai, avô genro, cunhado, amigo e esposo.

Falar sobre a pessoa de Elder Heronildes é imprescindível falar na pessoa de Zélia Macedo, que esteve sempre passo a passo ao seu lado. Zélia é ser iluminado, altamente competente em tudo que faz. A Lady, dona de uma docilidade e de uma simpatia que contagiam a todos que estão ao redor.

Ao seu lado, o escritor Elder, amigo das pessoas e da poesia, sempre atendendo todos os chamados a participar das vidas dos que o cercam e de se entregar de corpo e alma à cultura letrada e à vida do homem social e histórico.

A relevância dada por Elder ao conhecimento inacabado e a humanização para lidar com a família e os amigos é ímpar. Talvez esteja aí o segredo da sua carreira profissional vitoriosa e sua história de vida familiar permeada de respeito e amor.

Aliás, parafraseando o grande Escritor, Cientista, Mestre de Poesia, Drama e Novela Johann Wolfgang von Goethe relativizo o conteúdo deste texto e deixo para o leitor a interpretação da realidade do convívio com os desafios enfrentados através da sua própria vida e sobre a singeleza da intelectualidade do Acadêmcio Elder Heronildes da Silva, o que significa cada um elaborar seu próprio conceito.

Encerro, então, meus registros porque o fôlego para produzir letras do Dr. Elder é ilimitado; bem porque, por conta da sua generosidade intelectual, dos conhecimentos, saberes e das ideias, por ele produzidos, delego ao mundo dos intelectuais dar o alto valor aos seus pensamentos singulares representativos da “cultura elderiana”.








[1] Professora, Pesquisadora, Poetisa e Artista plástica.